Perdida…
Ao simples olhar. Olhei, olhei, olhei, olhei tanto que, à breve percepção, passou-se tempo, muito tempo que de tempos em tempos tinha, mas não sabia o que era. Aos olhos que apenas viam, a distância não se definia, não havia período nem limites ponto inicial ou fim, um único planisfério se organizava sem linhas, apenas a própria existência existia de fato, e os meus ouvidos estavam em paz, o silêncio não partia, era absoluto. As cores que vibravam se perfaziam dessa força apenas em cada núcleo individual [de qualquer coisa] ao passo que quase todos os elementos transpareciam suas bordas flácidas e podia-se somente ter certeza do que mais se aproximava ao sólido, quero dizer: apenas ao que permeava o seu centro. As texturas confundiam o tato, este que pela própria natureza não permitia até então ultrapassar qualquer corpo limitado por uma superfície, foi uma surpresa; mais uma notação, embora ainda não sabia do que se tratava, a consciência era fluidifica como gases que se dissipam na atmosfera devido a ação dos ventos, a ausência de massa física era além de tudo, sublime. Curiosamente difícil era compreender que não existia nenhuma sensação negativa, nenhuma tormenta, a não ser pela corrente excessiva que seguia para o desconhecido assim como ser engolido na velocidade que dragam os buracos negros seus alimentos, no caso, qualquer astro próximo que logo iria se desfazer em poeira e energia, mas a retorica estabelecia que não havia fim, então naturalmente se seguia.
Fui, foi como nunca ter deixado de ir, estava tão entrelaçado aos movimentos, não soava comum parar; não me controlava, não há controle para ausência, ela não existe, era inerente ao conjunto de fatores compreendido apenas no que diz respeito ao aleatório. Não fazia nada porque não precisava. Ao período de tempo indefinido, parecia tudo um segundo, quando na verdade esta mensura seria impossível, não tinha jeito, e foi por insistência que finalmente eclodiu a primeira sensação, foi aí que, por um lapso, o que não se estabelecia, viu-se transformar em sombra, tal qual delimitava certa inclinação fácil de perceber a direção da luz distante vinda abaixo do horizonte, foi como um susto, e um despertar onde o fluxo insurgente estagnou, parou em um ambiente diferente, tornei a sombra, era um ponto de rocha acinzentada num espaço vazio, sem vibração e sem cor, um grandioso tabuleiro, mas de um jogo sem jogadores, somente a luz, a sombra e a rocha. Bastou a situação para a segunda sensação, o raciocínio era iminente, então fui atingido por uma rajada violente de medo, o sentimento se concretiza, fiquei confuso porque não sabia onde estava e nem porque estava lá, muito menos o que causou a circunstância, o medo ficou ainda maior e desencadeou o desespero, a esta altura o momento era de vácuo, parecia preso e exprimido, o peito constipado, queria me libertar, o desconhecido junto a todos os sentimentos feria de forma assustadora. Tornei me em algo como uma grande bola gasosa contida exclusivamente de mazelas, e sem pausa, o tamanho a fez explodir. O estrago da consciência amplificada neste momento causou o ainda mais inóspito: a compreensão literal do que tinha ocorrido, embora exuberante em quanto naturalmente inconsciente, o fato é que havia perdido algo, e não encontrava, eu tinha perdido minha mente e não sabia…