o ponto, a razão, o obscuro.

Não consigo mais ser abstrato ao ponto de saber o que quero expressar fazendo sem saber como… O ponto da idiossincrasia que comete os disparos, os spoilers da retórica que não cala a mente estão fugindo ao intuito de serem inimagináveis. Sei que todas as inúmeras vezes em que não me tive por dizer o que queria que fosse claro, não quis dizer.

Muitas vezes eu não quis dizer.

Mas os disparos são agora sombras velhas sem sentido aparente, sem a força do invisível que por tanto tempo soube se fazer real em poucas formas e frases. Eu não senti qualquer que fosse a mudança, não consegui observar nada que causasse essa dissonância a despeito do que penso que sei sobre minha própria narrativa, fui pego, questiono por onde as dores passaram. Confusa a questão de administrar o momento onde tudo só pode ser visto se for sentido.

Eu sou solidário a mim em não querer acreditar em um tempo de validade para a existência daquilo que reflete o obscuro. Me pego avaliando se o abismo do desconhecido, a imensidão criativa irracional redimensiona e condiciona o espectro daquilo que eu quero comunicar.

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Paralelo .I

quero falar sobre estar perdido,

quero falar sobre querer estar em todos os lugares e ao mesmo tempo escondido,

quero falar sobre morte e vida na mesma medida,

quero falar sobre solidão,

padrões vulgares,

ilusão.

quero falar sobre ser estúpido,

quero falar sobre ser ninguém e ao mesmo tempo único,

quero falar sobre a verdade e a mentira na mesma medida.

quero falar sobre possessão,

pessoas vulgares,

ilusão.

quero falar sobre o nítido,

quero falar sobre o eterno e ao mesmo tempo do fim do idílio,

quero falar sobre a existência e a despedida na mesma medida,

quero falar sobre ter,

desejos vulgares,

ilusão.

quero falar sobre mim,

quero falar sobre meu fim e ao mesmo tempo do tempo,

quero falar sobre o paralelo, o universal e a ferida na mesma medida,

quero falar sobre o que ainda não sei,

referências vulgares,

ilusão.

   

quero falar sobre ilusão,

Entende,

aceitar a falha talvez te coloque numa posição melhor. você não sabe o que está além do que poderia colher. você não sabe o que está para ser. você não sabe o que tem para você. antes de olhar a deficiência, não olhe. você não é dono do que não imagina.

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Poderia

Poderia perder pra escrever.

Poderia perder pra ser.

Poderia perder.

Poderia.

 

Poderia me fazer desentender.

Poderia me ter pra entender.

Poderia me fingir de um ser .

Poderia me compreender.

 

Poderia sentir o meu prazer.

Poderia sentir como fazer.

Poderia sentir.

Poderia.

Ana

A princípio, Ana que se fazia de rogada, dessa vez não pensou duas vezes antes de dar a mais alta gargalhada. Ria da vida que havia lhe sujeitado a tantas e tantas desavenças, frustrações, desacordos, e mazelas.

Desde sempre, sempre igual, a única edificação que conhecia eram ruínas, que pouco a pouco se desmanchavam. Desprezava seu contexto, não entendia nada sobre qualquer que fosse o instrumento que poderia tanger sua felicidade, ou que poderia guiá-la sobre trilhos, mesmo algum que lhe conduzisse positivo e pragmaticamente a um destino feliz. Achava que não, porque nunca quis entender, mas o todo e tudo eram suas escolhas.

Sem percepção, e por muitas vezes, era uma ovelha guiada junta a milhares de outras por um cão bonito e maldoso lhe ameaçando morder caso não seguisse para onde ele queria que ela fosse. E por que não mais tarde estar servida sobre a mesa? Repteis a aguardavam.

Sem consciência, afligia-se pelo medo oculto que se fazia latente e vibrava em quanto achava que conduzia algo, quando era completamente conduzida. Não havia eixo, vivia sem eira nem beira, num colapso invisível desolando-a continuas vezes.

O fosso era alto, não adiantava salto algum, a luz distante lhe adiantava sentimentos oportunos a não dissolução do que deveria ser feito. Parecia se conformar assim como pede o impeditivo obscuro da ignorância pura.

Amargo gosto haveria de sentir por um longo período. Era o dissabor da própria existência que não hesitava em tirar largas tiras de sua pele por qual quer que fosse o motivo.

Mas, não mais. Viu que tinha prazer em ser conivente. No entanto, agora ria…

Como Fantasmas

Quis dormir, não pude. Receou-me o modo de interação e na postura obscura dos que passeavam sem fazer-se perceber. Fortuitamente, ao nu dos olhos, o que ficava vestido em transparência, demonstrava aos ouvidos que, em momento algum, fazia-se emudecer, irrompia sons ruidosos e dissonantes soando sem chances ao fluxo correto a qualquer frase, sussurros gelados.

Confuso, gerou vertigens, aquela massa feita de sombra e frio compilados em um sopro de tensão, envolveram, e o convite, foi sem resposta de aceite. Ao peito, sobrou apenas sentidos vazios, e escuridão. 

Ansiedade mórbida, me corrompia, fui cuspido nas “realidades”, enfrentar barreiras físicas obvias, mas desconhecidas, como se eu pudesse estar mesmo de alguma forma são. Não sei.

Contudo, já não sabia mais o que importava, estipulou-se um certo manuseio sem escrúpulos da minha mente, mas sem tardar, ela fugiu de si mesma para estar  segura da invasão.

Não bastou…